Os retirantes enchem as estradas…

 Ao escrever o artigo Absorver a OBRA: eis a questão!, dediquei-me na observação do impressionante RETIRANTES de Cândido Portinari*, representando o povo nordestino em meio aos seus sofrimentos. Necessidade de abandonar a casa de nascimento, o campo onde plantavam, olhos secos de rezas por chuvas e o pasto seco.

Cores de dores, amarelo, cinza e vermelho; cores de areia, ocre, preto, terra e verde; e cargas pequenas do branco… amenizando a miséria, como a lágrima por descanso da dor e suspiro por vida.

Das cinco crianças esqueléticas aparece uma com o corpo deformado e outra com barriga-d’água. Doenças intestinais que se fartam da desnutrição e fome e miséria e morte.

Família de nove pessoas, famílias das dores, milhares em retiradas…

No alto os urubus esperando a vez.

No centro a mulher nordestina: na alma o sofrimento, na sacola a esperança fugidia a passo e passo, no colo a criança deformada e magrela, por cima o peso da trouxa.

Os corpos como de impressionantes moribundos…

Os dois homens carregam a dureza e marcas de ossos como que sem pele…

Retirantes fugindo da morte que os persegue nas andanças, nas fomes, nas sedes, nos sonos e nos temores e tormentos. Tudo é desgraça, dor e tragédia em vida.

Servidão ao sofrimento. (Quem lê entenda.)

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Aqui não é lugar para calúnias e difamações. Discutimos doutrinas e ideias.

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CV.

*http://www.proa.org/exhibiciones/pasadas/portinari/salas/id_portinari_retirantes.html