O desfile final…

  Em uma ilha distante havia um abastado e orgulhoso monarca, chamado leão abatido. Certo dia ele inventou de aparecer deslumbrante diante da grande multidão de adoradores. Consultou os horóscopos e imediatamente um espírito guia correu pela casa mal assombrada, falou ao ouvido do profeta de plantão e o empurrou para o interior da sala do trono.

– Ó rei, viva para sempre. Faça o desfile!

– O quê?! Profeta, você tem certeza que vai dar certo?

– Dará certo!!!

– Como você advinhou que quero o desfile?

Falei conforme ossorrevelô.

Então, os oficiais da corte palaciana lhe prepararam desfile especial no melhor espaço da enseada papal. E planejaram um grande palco com fogos, holofotes e rufar de mil tambores (no caso de protestos dos retirantes e de vaias).

Distribuíram convites aos políticos solidários, determinaram a identidade mística nas roupas dos figurantes (gravata vermelha) e aos habitantes dos feudos  impuseram:

– Ninguém falte! Despesas por conta de cada um. Se alguém aparecer doente, que a família cuide dele. Ordens do monarca.

(Para dissimular a beligerância dissimulada da monarquia, os guardas não deixariam as armas expostas; mas deveriam ficar atentos para o mais mínimo sinal de atentado contra o monarca e contra-atacassem: APAGA! )

No dia e hora aprazados o leão abatido apareceu. Estava nu. Mesmo assim, ele subiu ao trono puxando consigo: esposas, filhos, netos, guardas pessoais, juízes, meias-solas podres de ricos com negócios nebulosos e maçons-profetas ao som da orquestra regida pela banda podre.

Os conhecidos rivais permanciam silenciosos. Num determinado momento o leão abatido acendeu o “fogo do altar” e acenou aos músicos para executarem o grito real conforme o monarca pré-ordenara. Aos acordes iniciais o populacho ouviu o rosnado do trono:

Dancem!

E batiam palmas, cantavam e dançavam ao êxtase da música do monarca podre.

Fico pensando naqueles que cantam e dançam debaixo do jugo de malabarismos dos construtores de heresias. Enfeitiçados pela enganação do hipnotizador que dissimula a implosão e deixa muita sujeira do ninho. O barco ficou à deriva, agora está afundando e os desesperados sofrem. Não há socorro!

No curso desse desfile final, continuamente e modeladamente, soprará um vento com uma voz toda dele. Como a longa lamentação do profeta. Lamentos de doenças do povo, de enganos sofridos, de esperanças perdidas, de filhos traídos, de lares destruídos e de profetadas e de zombarias.

Sopra o vento como em dores contínuas e parece não ter fim. Sopra de dia, e de noite se espreme nas rachaduras dos muros, entrando nas fendas das tábuas das portas do palácio da rainha desfigurada. O lamento envolve a história dessa monarquia numa impalpável névoa, capítulo por capítulo entremeados em fios contínuos de desesperança e de erronia generalizada.

Os que confiaram no pai da obra continuam agarrados ao deus obra; mas estão afundando na apostasia e incredulidade, sem se darem contas que a água chegou ao pescoço. Falta muito pouco para o afogamento. E morte!

Fujam enquanto há tempo!

Paz!

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CV.