Eles teriam praticado desvio de dízimo da igreja, envolvendo uma movimentação financeira da ordem de R$ 24,8 milhões

13/05/2013 – 22h47 – Atualizado em 14/05/2013 – 00h07
Cláudia Feliz | cfeliz@redegazeta.com.br
Foto: Reprodução/TV Gazeta

 Reprodução/TV Gazeta

Ex-presidente Gedelti Victalino Gueiros (à direita) é acusado de três crimes

Pastores da Igreja Cristã Maranata – entre os quais o fundador da instituição e presidente do seu Conselho Presbiterial, Gedelti Victalino Teixeira Gueiros – estão entre 19 pessoas denunciadas à Justiça pelo Ministério Público Estadual por crimes de estelionato, formação de quadrilha e duplicata simulada. Elas teriam praticado desvio de dízimo da igreja, envolvendo uma movimentação financeira da ordem de R$ 24,8 milhões, segundo o próprio MPES.

Nove promotores integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) assinam o pedido de abertura de ação penal pública contra os denunciados, que terão dez dias de prazo, a partir da citação judicial, para responder às acusações.

Exclusiva

A denúncia contra essas 19 pessoas é resultado de uma investigação divulgada por A GAZETA, com exclusividade, em fevereiro de 2012. Entre as 26 pessoas investigadas pelo Ministério Público, num trabalho que resultou a denúncia que acaba de chegar à Justiça, estão diáconos e pastores da Maranata.

Dos denunciados, três – entre os quais Gedelti Gueiros, o ex-vice-presidente Antônio Angelo Pereira dos Santos e o pastor Arlínio de Oliveira Rocha – são acusados de formação de quadrilha ou bando (Artigo 288 do Código Penal), estelionato majorado (Artigo 171, Parágrafo 3º) e apropriação indébita (Artigo 168) – ver quadro ao lado. Os mesmos artigos 288 e 171, do Código penal, são aplicados a outras dez pessoas, entre as quais o médico e pastor Amadeu Loureiro Lopes.

Já pelo Artigo 172 (emissão de duplicata simulada) foram denunciados um contabilista, um serralheiro, um eletricista e quatro empresários. No pedido de abertura da ação, o Ministério Público explica que apurações internas do próprio Presbitério da Igreja Cristã Maranata, visando a esclarecer “discrepância nos valores por ela pagos a prestadores de serviços e fornecedores de produtos”, subsidiaram a investigação.

“Negligentes”

O relatório conclusivo da comissão interna da igreja, que teria, só no Brasil, mais de 800 mil fiéis, apontou, em novembro de 2011, como “responsáveis e negligentes” Antônio Angelo Pereira dos Santos, Jarbas Duarte Filho, Cesar Fiem e Leonardo Alvarenga.

Numa ação movida na Justiça, com base nessa investigação interna, a instituição chegou a pedir ressarcimento de R$ 2,1 milhões, bem menos do que o Ministério Público garante ter sido movimentado no esquema executado pelo que o órgão define como uma “sofisticada organização criminosa” articulada por pastores com grande conceito na igreja.

Em março passado, quatro pastores chegaram a ficar presos, durante nove dias, acusados de coagir testemunhas que haviam prestado depoimento sobre o desvio. São eles Elson Pedro dos Reis – então presidente –, Amadeu Loureiro, Carlos Itamar Coelho Pimenta e Gedelti Gueiros.

Os denunciados

Gedelti Victalino Teixeira Gueiros
Denunciado por estelionato, formação de quadrilha e apropriação indébita

Antônio Angelo Pereira dos Santos
Estelionato, formação de quadrilha e apropriação indébita

Arlínio de Oliveira Rocha
Estelionato, formação de quadrilha e apropriação indébita

Mário Luiz de Moraes
Estelionato e formação de quadrilha

Wallace Rozetti
Estelionato e formação de quadrilha

Amadeu Loureiro Lopes
Estelionato e formação de quadrilha

Antonio Carlos Peixoto
Estelionato e formação de quadrilha

Antonio Carlos Rodrigues de Oliveira
Estelionato e formação de quadrilha

Jarbas Duarte Filho
Estelionato e formação de quadrilha

Leonardo Meirelles de Alvarenga
Estelionato e formação de quadrilha

Carlos Itamar Coelho Pimenta
Estelionato e formação de quadrilha

Sérgio Carlos de Souza
Estelionato e formação de quadrilha

José Eloy Scabelo
Duplicata simulada

Ricardo Alvim Madela de Andrade
Duplicata simulada

Daniel Amorim de Oliveira
Duplicata simulada

Daniel Luiz Peter
Duplicata simulada

Paulo Pinto Cardoso Sobrinho
Duplicata simulada

Welllington Neves da Silva
Duplicata simulada

Urquisa Braga Neto
Duplicata simulada

Os artigos do Código Penal

Estelionato majorado
Art. 171: Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.
Parágrafo 3º da mesma lei:
A pena aumenta-se de um terço se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência

Apropriação indébita
Art. 168: Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção

Quadrilha ou bando
Art. 288: Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes

Duplicata simulada
Art. 172: Emitir fatura, duplicata ou nota de venda que não corresponda à mercadoria vendida, em quantidade ou qualidade, ou ao serviço prestado

Fonte: A Gazeta

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2013/05/noticias/cidades/1439787-maranata-19-denunciados-por-estelionato-formacao-de-quadrilha-e-duplicata-simulada.html

Relembre o caso Maranata

> Bens de pastores da Maranata crescem 6 vezes
> Pastor briga para retomar a liderança da igreja Maranata
> Operação apreende documentos em sedes da Igreja Maranata
> Fraude derruba toda a cúpula da Igreja Maranata
> Igreja Maranata: dízimo desviado em fraude milionária
> Pastor usou ‘visão’ para justificar desvio
> Envolvido em compras foi preso pela federal
> R$ 1,8 milhão doados à igreja
> Igreja contratou sobrinho de presidente
> Maranata: “uma igreja que surgiu da luta pelo poder”
> Maranata pagou R$ 941 mil em materiais nunca entregues
> Maranata: líder da igreja é investigado
> Crimes federais investigados

NOTA

Aos nove Promotores de Justiça integrantes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que assinaram pedido de abertura de ação penal pública, pelo brilhante, meticuloso, paciente e sério trabalho, mesmo diante de todo tráfico de influencia desses astutos dirigentes. PARABÉNS!!!

Aqui não é lugar para calúnias e difamações. Discutimos doutrinas e ideias.

Cite a fonte caso faça cópia ou transcrição dos textos publicados neste Blog. Maranata: 19 denunciados por estelionato, formação de quadrilha e duplicata simulada

Em nome da ética democrática, que a data original e origem da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

Evitem postagens fora do FOCO do artigo.

Por ser deselegante evitem CAIXA ALTA (letras maiúsculas) nas postagens.