Como está escrito (Mt. 27.57-61):

“Caindo a tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus. Este foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então, Pilatos mandou que lho fosse entregue. E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo de linho e o depositou no seu túmulo novo, que fizera abrir na rocha; e, rolando uma grande pedra para a entrada do sepulcro, se retirou. Achavam-se ali, sentadas em frente da sepultura, Maria Madalena e a outra Maria.”

Cumpria-se o que estava escrito do jeito que estava escrito. Chegara a hora dos iníquos e do poder das trevas (Lc. 22.53). Finalmente o golpe contra o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo. 1.29). Instigados pelos sacerdotes, a massa exige a crucificação de Jesus. Calvário e morte!

Entrar na Hinódia Cristã é algo inspirador. Compreender o cântico congregacional ou as composições de alta construção harmônica e melódica como, por exemplo, A Paixão Segundo Mateus (BWV 244), é altamente confortante e recompensador. Esses hinos nos fazem pensar e repensar.

Escrevendo as Paixões relatadas por Mateus, João e Lucas, que Felix Mendelssohn procurou resgatar do esquecimento, no caso do relato de Mateus J. S. Bach centraliza a composição musical nos capítulos 26 e 27 do grande e inigualável ministério de Jesus, o Messias de Deus, enviado ao povo de Israel. Portanto, este Oratório inicia com certo clamor em que as vozes se intercalam entre angústia, choro e espanto diante do Cordeiro mudo que está sendo entregue ao sacrifício na hora dos iníquos e do poder das trevas.

Já estamos cientes de que José de Arimatéia ofereceu o sepulcro cavado na rocha, onde ninguém havia sido colocado. Este sepulcro ficava no Calvário. Então, José e Nicodemos, membros do Sinédrio (Jo. 19.38-39)  cuidam das despesas e formalidades legais para o sepultamento.

Jerusalém, a “cidade sanguinária” (Ez. 22; Na. 3) havia esquecido o cativeiro babilônio e o peso daquela sentença. Como é fácil resistir ao Espírito Eterno! Naquela semana o lamento de Jesus ficara registrado (Mt. 23.37-39):

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta. Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!”

Lembranças e sentimentos conduzem o ouvinte ao longo do texto musical; e, bem no final deste Oratório chegamos à ária Mache dich, mein Herze, rein, para o baixo, que expressa o piedoso sentimento de José de Arimatéia ao contemplar o corpo de Jesus conduzido para o sepulcro.

Não sei quantas vezes a ouvi…

O letrista nos faz sentir, que José não apenas oferece lugar para o repouso do corpo de Jesus. Este homem piedoso percebe mais do que isto. Então, oferece o coração como morada Daquele que aceita como seu Salvador e Senhor.

Ouçamos Bach – Matthaeus Passion – Mache dich, mein Herze, rein

Koopman – Amsterdam Baroque Orchestra and Soloists

Letra:
Mache dich, mein Herze, rein,
Ich will Jesum selbst begraben.
Denn er sott nunmehr in mir
Fur and fur
Seine susse Ruhe haben.
Welt, geh aus, lass Jesum ein!

Não é difícil acompanhar a leitura da pauta… Experimentem.

http://www.youtube.com/watch?v=tdK6wQl09Vw&feature=related

Tradução:
Purifica-te, meu coração,
Quero dar sepultura a Jesus.
Porque doravante,
E para sempre
Poderá em mim repousar.
Mundo, sai! Deixa que Jesus entre em mim!

Make yourself clean, my heart,
I will entomb Jesus myself,
For he shall from now on, in me
for ever and ever,
take his sweet rest.
World, begone, let Jesus in!

Que as palavras desta ária e a disposição de José nos levem a repensar o lugar que temos dado a Cristo Jesus.