Baforadas de hipocrisia:

“abandonei a igreja pra ser cristão”;
“deixei a igreja pra ser cidadão do Reino de Deus”;
“depois que abandonei a igreja, entendi o que significa ser cristão”;
“estou cansado de ir à igreja”;
“igreja é lugar de gente hipócrita e suja”;
“igreja, pra quê?”;
“igreja não, eu quero é Obra”;
“igreja não presta”;
“não quero ir à igreja”;
“os maiores homens da Bíblia não frequentavam igrejas”;
“prefiro ficar sozinho, igreja não presta”;
“religião por religião fico em casa assistindo bons programas”…

Essas frases tornam os indivíduos responsáveis pelo que falaram.

Cansei de bocas escancaradas, criticando apenas por criticar. Gente de nariz empinado falando nada com nada, destruindo para nada erguer no lugar, escondendo desculpas esfarrapadas, obstinações e preguiças. Gente de pés sujos que não quer a alma lavada e o coração purificado pela Palavra.

Gente estéril, longe da esperança, da fé e do amor de Deus. Insensatos que recusam as bênçãos destinadas ao que estão no Corpo de Cristo. Nada fazem pelo “evangelho da graça de Deus”, inventam revelações e sonhos, não ajudam a levar as cargas uns dos outros e nunca se desprendem para amar o próximo; mas estão presos a algum tipo de doutrina revelada e falso profetismo.

Gente muito sábia na briga para causar divisões e romper com a “instituição”; mas criando “instituiçãozinha” com a mesma doutrina revelada e a mesma heresia de frutos podres e até piores…

Gente que não larga as muletas, embora prefira se excluir da comunidade cristã, porque insiste em autocomiseração para ser servido. Gente que não passa de caminhantes carregando defuntos dentro de si. Ora, com a adoção desse estilo de fariseus incrédulos, nos tornamos notórios sectaristas responsáveis diante de Deus e dos homens. Por não sermos luz do mundo nem resplandecermos nas trevas.

Congregar com amados irmãos na “fé em Jesus”, que querem ser “um em Cristo Jesus” (Gl. 3.28), porque Ele é “o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm. 3.26), é bênção inaudita. Lendo Atos dos Apóstolos, aos nossos olhos sobe um ciclone de imagens. Não consigo entender cristianismo sem comunidade, sem fidelidade às Escrituras, sem o fluir do Pentecostes, sem o primeiro amor.

Chegado a hora do culto cristão, alguns chegam cedo; crianças, pais, mães e outros e mais outros… De repente aquela parte da grande “família de Deus” (Ef. 2.19) está reunida. Felicidade é participar do culto cristão com dízimos e ofertas voluntárias, aguardando a Colheita Final. Deste modo, continuo plantando sementes. Não me cansei de aprender a investir no Reino de Deus. Sei que Ele dará o crescimento (cf. 2 Co. 9.1-15).

Desde que me aproximo do local de cultos os cânticos congregacionais me alegram, como bálsamo e conforto: ali está parte da minha família (não estou sozinho). Estar com pessoas diferentes, cantando hinos com devoção, exaltando o Nome do Eterno e Todo-Poderoso, falando de coisas que experimentam, nunca desfalecendo e orando sempre e sem desfalecer… como é prazeroso e sincero. Costumeiramente, abraço as crianças, dou atenção aos jovens, mães de mim se aproximam, falo com elas e converso com os idosos e os visitantes. Não me importa a cor das pessoas, roupas e vestidos. Se perfumados ou com o cheiro forte de quem apressado caminhava debaixo de sol, camisa de poliéster fechada até o pescoço… mas chegou a tempo de participar das bênçãos do Corpo.

Há algum tempo, convidado para o culto na Assembléia de Deus, cheguei cedo, como de costume. Muitos irmãos já estavam ajoelhados e orando. O Diácono me conduziu até à frente. Sentei-me ao lado de um ancião que aparentava oitenta anos, pelo menos. Cabelos branquinhos e encaracolados… Em suas mãos enrugadas e levemente trêmulas, aquele antigo exemplar da Bíblia, companheiro de muitos anos… Com amável sorriso ele respondeu ao meu.

Instantes depois, falei baixinho:

– Meu pai, deixe-me fazer um pedido…

– Sim, o que o amado irmão deseja?

– Me fale a respeito do Céu…

Como brilhou a face daquele ancião! Com os olhos fechados ele começou a falar de coisas que conhecia. Como um perfume raro que exalava do espírito interior, assim a esperança cristã   refletia a sensatez da vitória. (Entre os crentes em Jesus sempre me acontece encontrar alguém que eu gostaria de engraxar os sapatos…) Bem que gostaria de estender a conversa, mas os minutos corriam e chegara a hora do meu testemunho da “fé em Jesus”.

 A cena em que Jesus lavou os pés dos discípulos está diante de nós (Jo. 13.1-17). Com muitas outras coisas para fazer naquela última semana parecia perda de tempo o que Jesus fez. No entanto, após a Ceia Pascal e antes de instituir a Ceia do Senhor, Ele cingiu-se com uma toalha, pegou uma bacia com água e começou a lavar os pés dos amigos. Abnegação, amor, comunhão, discernimento, humildade, purificação e serviço, como um pano de fundo do que seria, dali em diante, o viver em Cristo e servir em amor na Casa de Deus.

Jesus observou pés sujos entre os discípulos. Ele percebeu a necessidade deles: purificação. Aproximando-se de Pedro para lavar-lhe os pés, este recusou, pois disse (v. 8): “Nunca me lavarás os pés”. E os presentes ouviram a resposta, como um chama de fogo: “Se eu não te lavar, não tens parte comigo.” Diante dessa franqueza Pedro mudou de idéia. Na hora! E aqueles homens entenderam que o Mestre exigia limpeza naquilo que carecia de constante purificação. Porém, Judas Iscariotes mantinha a mente fechada às palavras (v. 10) “vós estais limpos, mas não todos.” E persistiu no engano do pecado. Capacitado pelo Diabo que nele entrou (v. 27), antes da Ceia da Nova Aliança levantou-se e mergulhou nas sombras da traição de Jesus a preço de trinta moedas de prata. Não quis purificação. Por fim se enforcou. 

Conclusão

Amados, a “igreja de Deus… corpo de Cristo” (1 Co. 1.2; 12.27) é alegria no Espírito, amor, aprendizado, arrependimento, atitude, “baluarte da verdade”, bênçãos, cânticos congregacionais, espirituais e litúrgicos, comunhão, confissão, conforto, “constância em Cristo”, contribuição, convicção, convivência fraternal, crescimento, curas, devoção a Cristo e ao Evangelho de Deus, dons espirituais genuinos, “doutrina dos apóstolos”, educação cristã, ensino, entrega, envolvimento, esperança cristã, ética cristã, evangelismo, exercer fé em Jesus, fortalecimento em espírito, graça, gratidão, lavar os pés, libertação plena, louvores, mistério de Deus, ofertas, orações e ousadia.

A “igreja de Deus… corpo de Cristo” é paz, perdão, perseverança, poder contra as hostes satânicas, poder na criação de composições eruditas preparação para o iminente arrebatamento dos santificados em Cristo, “primeiro amor”, prontidão em servir, prosperidade, quebrantamento, refrigério, restauração, “sabedoria de Deus”, separação, sinceridade, socorro, solicitude além das quatro paredes, resplandecer como luzeiros do mundo, teologia, testemunhos de vida e viver em ressurreição.

A “igreja de Deus… corpo de Cristo” não é casa, prédio ou templo. Diante da gloriosa presença de Deus, ainda que sejam dois ou três irmanados em Nome de Jesus, os novos perguntam (At. 2.37): “que faremos, irmãos?” E os mais experimentados conhecem a insistência de Cristo ( Jo. 13.17): “se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.”

Deste modo, o mundo conhecerá e reconhecerá a comunidade cristã que a Deus adora “em espírito e em verdade” (Jo. 4.24). Isto somente é possível no contexto de obediência ao Novo Testamento e no contínuo fluir do Pentecostes, enquando aguardamos o arrebatamento. Porquanto, a comunidade cristã deve ser reflexo da comunhão existente na Tri-Unidade da Divindade,

“…para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor, pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele.” (Ef. 3.10-12)

O serviço cristão exige que procuremos oportunidades para sermos servos uns dos outros. Para que alguém entenda e participe das bênçãos destinadas à “igreja de Deus… corpo de Cristo”, há de ser purificado. Nele e por Ele, a Palavra Viva. Sempre!

Para que os leitores fiquem cientes “de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade” (1 Tm. 3.15), nossa é a tarefa de anunciar a graça e a misericórdia de Deus. Isto inclui amar a Deus e demonstrar esse amor lavando os pés dos cansados de caminhar por estradas perigosas e poeirentas. Especialmente os retirantes (quem lê entenda).

Porém, quando o Eterno começar a derramar o juízo que está reservado para os obstinados e rebeldes, ficarão de pé aqueles que hoje desprezam a “igreja de Deus… corpo de Cristo”  e a transformam em covil de salteadores?