Eu estava andando pelas ruas do tempo e alguém colocou em minhas mãos certo álbum de fotografias. Eram lembranças de uns dez anos para cá. Então, me perguntei: lembranças de quem? O bolor começava a corroer algumas fotos.

Era bonita, elegante e jovem. Em seu rosto a aparência de felicidade na primeira foto. Depois a foto com o ventre grávido. Ainda outra, na rua, ela andando com cuidados e sozinha. Depois a foto com o pequenino no colo, mas receosa no ato de dar de mamar. Doía…

Na foto que mostrava a praça da cidade (parecia um comício perto de um parque) ela olha o carrossel, ora sozinha, pensa… mas procrastina… Naquela outra as expressões de desprezo, e dores e medos… e tempo passando.

Então, procurei por algum lance que me esclarecesse o motivo da mulher aparecer sozinha. E vi, na mesma praça e mesmo momento, aquela expressão de ódio sem razão no rosto de certo homem. Aparentemente, ela percebera o escondido no coração do marido dissociado da realidade. Doença grave! Espantei-me da enfermidade do homem que talvez queira vingança contra determinadas pessoas.

No álbum havia espaços vazios, querendo dizer que, mais fotos poderiam estar ali…

Não havia necessidade de ver, mais do que eu já tinha visto no sonho que tive nesta madrugada depois de minhas orações.
 
O casamento era mostrado em fotografias; e no decurso dos poucos anos nelas estavam o desmoronar de cada esforço, especialmente dela, para salvar o casamento, os projetos e os sonhos. Empenho solitário…

Parece que permaneceram separados desde o início e por muito tempo, até o dia em que ela disse: Adeus!