“Então dois estarão no campo, um será tomado e deixado outro; duas estarão trabalhando num moinho, uma será tomada, e deixada outra. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.” (RA-SBB)

Ai daqueles dissimuladamente incumbidos de institucionalizar a má interpretação das Escrituras. Alguns constroem argumentos negando o arrebatamento da igreja. Aqueloutros abusam da frase exclusiva de Mt. 24.40-42 a ponto de apresentarem estatísticas matemáticas da proporção dos que serão arrebatados. Erro em cima de erro.

Entendo errôneo aplicar Mt. 24.40-42 no contexto do arrebatamento da “igreja de Deus…corpo de Cristo”. Errôneo por ser contrário ao Testemunho do Todo-Poderoso. Misturar anúncios bíblicos específicos de determinados eventos escatológicos causa dificuldades intransponíveis. Ora, sistematizar doutrinas eclesiásticas a partir de experiência, de falso profetismo ou de filosofia da religião resulta em graves heresias, presunções e trapalhadas.

Equívocos e equivocados intencionais aparecem quando o assunto diz respeito ao arrebatamento da igreja. A falsa-unção destrói a fé gera a morte. E os moribundos estão por ai… Até onde não se esperava a heresia lastrou e da pior forma possível.

Inicialmente, leiam algumas presunções pseudocientíficas e trapalhadas.

Entendam desde o começo

A profecia das “setentas semanas de anos” (Dn. 9.24-27) está  presa ao grande Sermão Profético registrado pelos hagiógrafos Marcos, Mateus e Lucas. Irremediavelmente! Este Sermão Profético, também chamado de Pequeno Apocalipse, faz a ponte Daniel-Apocalipse. E deste modo, o corpo da Profecia se fecha. Sem confusão e sem tropeços. Considerem o que a Escritura declara (Rm. 16.25-27):

“Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações, ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!”

Eventos da História de Israel constam na poderosa profecia das “setentas semanas de anos”. Na seqüência, o Sermão Profético aponta especialmente para o distante fim do “princípio das dores” que dá entrada às “dores” de fato, ou seja: a “grande [tamanha] tribulação”. Por fim, escrito no final do primeiro século o Apocalipse de Jesus Cristo nos mostra a consumação de todas as coisas com o olhar no novo Céu a nova Terra.

Ignorância e preguiça de muitos leva-os a negligenciar o criterioso estudo das Escrituras Proféticas, especialmente certos momentos da Revelação Proposicional que exibem aspectos do caráter e modo de agir do Altíssimo Deus, o Todo-Poderoso. Caso da heresia gedeltiana insistindo que três das sete trombetas do Apocalipse já ressoaram, tropeçando diante da profecia em Apocalipse 8.5. E ele não se corrigiu. Este mestre-profeta promete que a ICM-PES – a Igreja Fiel – será arrebatada ao iminente ressoar da quarta trombeta. Isto equivale a marcar tempo. Porquanto, não lhe bastou enganar com a heresia das trombetas que inclui o falso batismo com o Espírito Santo com a conseqüente enxurrada de dãos nos cultos proféticos e outras falsidades. Dissertei sobre este assunto em O Desastre da Heresia Icemita.

Inerrância e interdependência no mover profético sob o controle do Eterno e Todo-Poderoso são provas do que Deus disse e prontamente realizará. Neste passo, é melhor o leitor se acostumar com a idéia de que Ele fará o que Ele disse e do jeito que Ele disse. Reporto-me ao que escrevi em A Chave de Toda Profecia.

Não entender o curso escatológico da profecia causa dificuldades. Muitas. Deste modo, as duas primeiras partes da profecia das “setentas semanas de anos” (a construção do segundo templo judaico e a morte do “Ungido”) consideram-se como fatos historicamente provados até a 69ª (sexagésima nona) “semana de anos”.

Porém, o conteúdo geral das Escrituras Proféticas aponta para a derradeira “semana de anos” (sete anos literais). Então, entra em cena a “grande [tamanha] tribulação” mencionada por Jesus nos dias de aguardo de Sua angústia e morte sacrifical em Jerusalém. Este é o cenário de fundo do Sermão Profético.

Nas linhas principais deste grande Sermão Escatológico o “abominável da desolação” se manifestará no Templo Judaico no período da “grande [tamanha] tribulação”. Entretanto, os grandes juízos do Apocalipse (selos, trombetas e taças) pré-anunciam que as obras da Tríade Satânica despencarão em meio ao espanto e terror do Todo-Poderoso. Aleluia! E o mais importante: “o Soberano dos reis da terra” (Ap. 1.5; 6.10) intervirá nas nações como no passado. Maravilhosamente!

Ora, estamos diante de grandes e poderosíssimas profecias. Estas Escrituras Proféticas cuidam do Advento de Cristo para a consumação de todas as coisas. Os cristãos entendem imperioso o cumprimento desta última das “setenta semanas de anos” para o completo implemento do que o Espírito do Eterno confiou a Daniel, homem de Deus.

Por conseguinte, o alvo específico dos juízos mencionados no Sermão Profético antecipa o cenário do juízo seqüencial (selos, trombetas e taças) apontado no Apocalipse de Jesus Cristo como o apresto da gloriosa e iminente manifestação do Messias para estabelecer o Reino Milenial.

O exagero de alguns

Quanto ao arrebatamento da “igreja de Deus…corpo de Cristo” a frase de Mt. 24.40-42 nada nos diz. Este detalhe exclusivo do apóstolo-hagiógrafo Mateus aponta, especificamente, os dias da “grande [tamanha] tribulação”. Anoto a especificidade e exatidão deste ponto como um dos fatores da propriedade da Revelação no contexto do juízo que virá sobre os adoradores da Besta Satânica.

Quero expressar como injustificável o exagero de alguns atemorizando os crentes e neófitos: no arrebatamento metade fica pra trás e metade sobe ao encontro do Senhor nos ares. Mentirosos é o que são. Jesus, o “Filho do Homem” (Dn. 7.13-14), decretou profeticamente (Mt. 16.18): “…edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” Ele jamais destinou a “minha igreja” para a terrível tribulação que cairá sobre os habitantes da terra quando os dois grandes feiticeiros (o anticristo e o falso profeta) estiverem agindo sob o comando de Satanás (Ap. 13.1-18; 16.13-14). Levi-Mateus registrou, aquilo que o Messias Jesus profetizou no contexto do fim do “princípio das dores”, que dá lugar aos dias da futura e grande “tribulação”. A Escritura registra (Mc. 13.19-20 cf. Mt. 24.21-22 – ênfase nossa):

“Porque aqueles dias serão de grande [tamanha] tribulação como nunca houve desde o princípio do mundo que Deus criou, até agora e nunca haverá.

Não tivesse o Senhor abreviado aqueles dias, e ninguém se salvaria; mas por causa dos eleitos [escolhidos] que ele escolheu, abreviou tais dias.”

Sabedores da Sua vontade quanto ao livramento da “igreja de Deus…corpo de Cristo”, já fomos informados de que Ele nunca disse, como alguns insensatos querem: no arrebatamento metade da igreja fica, e a outra metade sobe. Jesus nunca falou isso! Nunca!

Ora, arrebatamento da “igreja de Deus…corpo de Cristo” não é assunto incluído no Sermão Profético; mas consta na doutrina expressa nas Epístolas Paulinas, corrigindo falsas idéias e fanatismo de alguns a respeito deste momento iminente e indivisível que exclui os demais “que não têm esperança”. Aspectos desse primitivo ensino podem ser lidos em A Última Chamada.

Seguramente, aquele que em seu espírito acolhe a Escritura Profética e anda na “constância de Cristo” (2 Ts. 3.5), entende a grandeza, a irrefutabilidade e a magnificência da profecia que promete arrebatamento antes da ira divina (1 Ts. 1.9b-10 cf. Ap. 6.12-17 – ênfase nossa):

“…deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira [de Deus] vindoura.
“Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremoto. O sol se tornou negro como saco de crina, a lua toda, como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a figueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar. Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?

A maior necessidade

Se alguém necessita de sabedoria, perceba que o rapto da “igreja de Deus… corpo de Cristo” causará enorme espanto entre os habitantes da terra; ou seja, “os demais, que não têm esperança” (1 Ts. 4.17). Evidentemente, este evento é de caráter inesperado para o mundo.

No vácuo instalado com este misterioso e poderosíssimo seqüestro do Corpo de Cristo que acontecerá “num instante, num abrir e fechar de olhos”, imediatamente os habitantes da terra serão confrontados com apelos eclesiásticos do “falso profeta” e a enganação metódica do “anticristo” (Ap. 13.1-18). Estes dois déspotas mundiais implantarão a Religião Unida e fatalmente imporão “a marca da besta” (Ap. 13.17; 16.2; 19.20).

Neste esforço de implantar o reino de Satanás “o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o iníquo” (2 Ts. 2.3,8) causará grande mortandade. Neste olhar, sim! é que entendemos a melhor exegese da frase: “um será levado (morte) e deixado o outro (vida)”.

Portanto, entendo que no contexto da confusão cósmica e social resultante dos juízos já profetizados, o Sermão Profético será bem compreendido somente por aqueles indivíduos tementes a Deus que estiverem presentes nos dias da “grande [tamanha] tribulação”.

Sendo ressuscitado para fora dos mortos e dando instruções indispensáveis aos Seus amados pelo espaço de quarenta dias, finalmente Jesus ascendeu aos Céus e sentou-Se à destra da Majestade nas alturas (At. 1.3-11; Hb. 1.3-4). Daí em diante o Espírito de Cristo Jesus guiou e instruiu a “igreja de Deus… corpo de Cristo”. Como está escrito (Hb. 8.1-2):

“Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus, como ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem.”

Mais para o fim do primeiro século o Cristo do Deus Eterno notificou ao apóstolo João as cenas descritas na grande Revelação. E não faltaram avisos específicos a respeito “da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.” (Ap. 3.10).

Se os insensatos e os surdos não quiserem ouvir, paciência. Desonra, insurreição e maldição: eis os frutos daquele que – nesta condição de enganação e incredulidade – está convencido de ser portador de novas revelações do apocalipse (infelizmente, esta frase está inserida no ensino do mestre-mor da ICM-PES e já indiquei a bibliografia de sua autoria).

Sem sombra de dúvidas, iniciados os eventos finais para a iminência da futura e gloriosa parousia, imprescindível a preparação. Entre outras parábolas inseridas no Sermão Profético, a parábola das dez virgens ilustra esta grande obrigação. No entanto, apesar dos avisos do Messias no sentido de que, diante desses eventos futuros, os Seus novos seguidores deveriam estar atentos aos fatos, será tarde demais para muitos se prepararem. O julgamento se fará. Imprescindivelmente.

Sem sombras de dúvidas, o Messias de Deus insistiu em que os “eleitos” (os que por esse tempo viessem a exercer fé no Evangelho do Reino) estivessem preparados e vigilantes (e até mesmo para fugir pois Jerusalém não será poupada). Nesse tempo somente o “remanescente” dos judeus será salvo (Rm. 9.27; 11.5).

Por conseguinte, compreende-se a profecia em Mt. 24.40-42 em meio à futura e intensa perturbação reinante, onde “um será levado (ceifado com a morte) e deixado o outro (escapará com vida)”.

Conclusão

Certos, bem certos de que “num abrir e fechar de olhos… com Ele seremos glorificados” (1 Co. 15.51-52; Rm. 8.17) nós exercemos fé em Jesus; e deste modo testemunhamos e vivemos; pois, onde Espírito de Cristo Jesus nada esclarece, nem fala e nada revela, nos calamos. Confiantes. Quietos e sossegados.

Deus, o SENHOR Todo-Poderoso não suporta desacato à autoridade absoluta inerente ao Seu caráter absolutamente perfeito e santo.

Inesperadamente, nações e povos serão perturbados, profundamente, com a indivisível e iminente retirada do Corpo de Cristo, conforme o Espírito de Cristo Jesus prometeu e reiterou (1 Ts. 1.10- ênfase nossa): “Jesus… nos livra da ira [de Deus] vindoura”.

Por conseguinte, a profecia em Mateus 24:40-42 nada tem a ver com “igreja de Deus…corpo de Cristo”. O arrebatamento dos “santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos” (1 Co. 1.2) não depende dos que agora fazem parte da chamada Igreja Militante ou da Igreja Triunfante. Este ato é exclusivo de Jesus, o Messias, conforme Sua promessa na véspera da angústia da morte sacrifical em Jerusalém (Jo. 14.1-3 – ênfase nossa):

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.

Promessas feitas por “Jesus, o Mediador da nova aliança” (Hb. 12.24) e promessas realizadas. Milhões de milhões das gerações de crentes em Jesus anteriormente justificados mediante a fé em Cristo (Rm. 5.1-2) foram feitos “filhos de Deus” (Jo. 1.12; 11.52), “herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo” (Rm. 8.17) e “selados para o dia da redenção” (Ef. 4.30).

Reconciliados, pois, com Deus (Rm. 5.10-11), aqueles que nasceram de novo e andam na “constância de Cristo” (2 Ts. 3.5), alcançaram a extraordinária posição de cidadãos dos Céus e aguardam, confiantes, a esperada redenção de seus corpos (Rm. 8.23-25). Porquanto está escrito (Ef. 2.19-22):

“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.”

Quem fez a promessa é fiel.

Sejam fortes na fé, na esperança em Cristo e no testemunho a favor de Jesus!

Tenham bom ânimo!