Alguém já disse que Deuteronômio 32.1-43 é “a chave de toda profecia”. Este trecho bíblico é mais conhecido como “O Cântico de Moisés”. O tema do belo poema é o NOME DO SENHOR, Aquele que garante o cumprimento do que fala através dos Seus profetas. O objetivo deste cântico profético foi impressionar os filhos de Israel para o fato de que, em detrimento de seu proceder com iniqüidade e insensatez (5,6), a existência deles era resultado do agir amoroso e escatológico do SENHOR Deus, Santo e Todo-Poderoso, em Sua fidelidade e santidade de justiça a favor daquele que fora encontrado (vs. 9-13)

“numa terra deserta num lugar ermo solitário povoado de uivos; rodeou-o e cuidou dele, guardou-o como a menina dos olhos”.

Alguns dos atributos da Divindade são claramente mencionados; mas na palavra “Rocha” (v. 4, hb. Tsur), a eternidade e a imutabilidade do Deus de Israel estão reiteradas como algo transcendente que sustenta o peso da profecia no curso da Revelação:

“Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto”.

Porém, contra a iniqüidade dos impenitentes e rebeldes, a ira justa e santa do SENHOR Deus arderá até o mais profundo da região dos ímpios mortos (v. 22, hb. she’ôl). Portanto, Israel foi sobejamente avisado a não mais provocar os zelos do SENHOR (vs. 23-25), sob a pena de ser reduzido à situação de “não-meu-povo”, segundo a profecia de Oséias (2.23). Deste modo, se os inimigos de Israel fossem realmente um pouco mais sábios, se lembrariam de como o SENHOR Deus, “o Soberano dos reis da terra”, tratou o Seu próprio povo (v. 29).

No Cântico de Moisés, homem de Deus, os caminhos de Israel são expostos e tratados pelo Deus de Israel como eles merecem. E se expostos e tratados com extremo rigor quando os filhos de Israel se envolveram em sacrifícios humanos feitos a “demônios” (v.17, hb. shedhim), (1) qual será o fim daqueles que blasfemam e zombam do NOME do Altíssimo e não se arrependem de suas iniqüidades? (2) Moisés também prevê que, ao longo da História, os inimigos de Israel (v.31) serviriam de instrumentos pelos quais o SENHOR Deus corrigiria o Seu protegido e protegeria o seu remanescente; mas destaca-se que o Deus Soberano e Todo-Poderoso deseja vitória constante para Seu povo.

O juízo que da parte do SENHOR Deus caiu sobre Sodoma e Gomorra é novamente lembrado aos filhos de Israel (v. 32), pois o Altíssimo Deus é o SENHOR, o Soberano sobre a Terra – fato que será reiterado no curso da Revelação. (3) Necessariamente o Eterno terá de executar o Seu justo juízo não somente sobre as ações de cada homem – um por um – quer queiram quer não; (4) mas também de cada nação – uma por uma – quer queiram quer não! (5)

Dessa maneira, o tempo da “vingança” (v. 35) final sobre os homens, nações e povos de toda Terra pertence ao SENHOR Deus e ninguém escapará deste grande juízo: nem livre, nem escravo. Ao longo do Primeiro Testamento, este tema se mantém coerente e nitidamente reaparece na fraseologia escatológica do Sermão Profético e dos hagiógrafos do Segundo Testamento. (6) Ao final do Cântico de Moisés, homem de Deus, a grandeza e a soberania do NOME do SENHOR é reafirmada (v. 39-43), causando imenso espanto e terror aos inimigos do Grande EU SOU:

“Vede, agora, que Eu Sou, Eu somente, e mais nenhum deus além de mim; eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar alguém da minha mão. Levanto a mão aos céus e afirmo por minha vida eterna: se eu afiar a minha espada reluzente, e a minha mão exercitar o juízo, tomarei vingança contra os meus adversários e retribuirei aos que me odeiam. Embriagarei as minhas setas de sangue (a minha espada comerá carne), do sangue dos mortos e dos prisioneiros, das cabeças cabeludas do inimigo. Louvai, ó nações, o seu povo, porque o SENHOR vingará o sangue dos seus servos, tomará vingança dos seus adversários e fará expiação pela terra do seu povo”.

Deste modo, após o exercício de Sua justa “ira vindoura” (7) contra a iniqüidade dos povos (o juízo de que o SENHOR Deus fala é guerra sem tréguas), a visão profética do Cântico de Moisés termina com o chamamento das nações à expectação da alegria de Seu povo por causa do justo juízo consumado pelo Eterno e Todo-Poderoso contra todos os Seus adversários; até chegar aos chefes deles – nenhum deles escapará – ou seja: “as cabeças cabeludas” (hb. rõ’sh [chefes, líderes] par‘ôth [supremos líderes] expressão idiomática que se entende por autoridades de comando supremo). Alegria que se verá estampada no rosto do remanescente dos filhos de Israel pela restauração (8) e o perdão que lhes será concedido. (9)

Por certo que a inerrância e infalibilidade do que foi bem decidido no “conselho do SENHOR” (10) são os grandes segredos entrelaçados no Cântico de Moisés e o fundamento imutável das Escrituras Proféticas (Rm. 16.25-17). Portanto, o Altíssimo Deus, “aquele que vive pelos séculos dos séculos”, demonstra que nunca, jamais deixou de estar no controle de todas as coisas. Nem de providenciar livramentos pessoais e salvação graciosa e oportuna para o homem caído em pecado; (11) porquanto o Decreto Messiânico estabelece (Mc. 1.15): “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no Evangelho”.

Conseqüentemente, as “Escrituras proféticas, segundo o mandamento para obediência por fé entre todas as nações”, estão em seu curso irreversível e ninguém impedirá o agir do SENHOR Deus, o Todo-Poderoso. Deste modo, o Decreto Messiânico é bom, irrevogável, legal, necessário, pleno, transcendente e urgente. Ele não voltará atrás! Estas palavras são exclusivas e revelam o caráter autocrático e verdadeiro de Quem assim o ordenou (12) :

“Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos. (…) Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos. Se, pois, se tornou firme a palavra falada por meio de anjos, e toda transgressão ou desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade”.

Glória ao Justo! Quanto à grandeza do que está por acontecer, como um relâmpago que percorre toda História e perpassa a eternidade, a cena notificada ao apóstolo João preserva um solene juramento (Ap. 10.5-7):

“Então, o anjo que vi em pé sobre o mar e sobre a terra levantou a mão direita para o céu e jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos, o mesmo que criou o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles existe: Já não haverá demora, mas, nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele estiver para tocar a trombeta, cumprir-se-á, então, o mistério de Deus, segundo ele anunciou aos seus servos, os profetas”.


Referências bíblicas
  1. Dt. 32.17 cf. Sl. 106.35-38; 1 Co. 10.20,21
  2. Ap. 9.20,21; 16.10,11; 21.8; 22.15
  3. At. 4.24-31; 1 Tm. 6.13-16; 2 Pe. 2.1; Ap. 1.5; 6.10
  4. Mt. 16.27; At. 3.26; At.17.30,31;Rm. 2.5-10; Ap. 20.11-15
  5. Jl. 3.1,2; 9-14; Mt. 25.31-46; Ap.12.5; 15.4
  6. Lc. 21.22; 2 Ts. 1.3-10; Rm. 12.19; Hb. 10.30
  7. Mt. 3.7; 1 Ts. 1.10; Ap. 6-18
  8. Sl. 80.1; Jl. 3.18021; Mq. 9.11-15; At. 15.15-18
  9. Is. 52.13-53.12; Zc. 12.10; Jo.19.37; Ap. 1.7
  10. Sl. 33.11; Jr. 23.18
  11. Is. 48.8-12; 55.6-12
  12. At. 17.30,31; Hb. 2.1-4