Esta é a terceira parte da série “Agradando aos homens e desacatando as Escrituras”. Acesse aqui: Parte I e Parte II.

Terceiro Capítulo

A antiga promessa do derramar do Espírito Santo (Jo. 1.32-33; Lc. 24.49) foi confirmada no Pentecostes (At. 1.5,8; 2.1-4) e em outras ocasiões (At. 10.44-48; 19.6), como está escrito (At. 2.39):

“Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.”

Esta promessa foi confirmada conforme o modelo do Novo Testamento a exemplo do que aconteceu em Éfeso: Paulo expôs as Escrituras, impôs as mãos sobre aqueles homens piedosos e falavam em línguas e profetizavam.

Nada de bibliomancia e clamor inconseqüente: erro em cima de erro. Mas os icemitas continuam errando…

Carlos e Marcelo desejam que Benício compreenda que A FALSA-UNÇÃO GERA A MORTE. Depois de ferir o Testemunho de Deus a respeito de Seu Filho Unigênito e ferir a Doutrina da Tri-Unidade da Divindade, não há quem consiga ficar em pé diante do Mediador da Nova Aliança e nosso Sumo Sacerdote.

Ninguém conseguirá entender o Evangelho e exercer fé em Jesus independentemente de sinceridade e verdade a toda prova. O Evangelho é absoluto, exclusivo. O Evangelho é fogo purificador. Fogo santificador.

Olhando para Benício, vê-se que ele abaixou a cabeça, meio sem graça, com o bombardeio de perguntas. Ele não tem como dar respostas sem condenar a si mesmo.

Querendo defender-se, desferiu o mantra:

– O que digo é o seguinte: o mestre ensinou, fez o apelo e fui à frente. Então ele disse do púlpito: clamem pelo sangue de Jesus, consultem ao Senhor pela Palavra, abram a Bíblia para ver se houve confirmação do batismo com o fogo do altar. Se alguém tiver alguma dúvida os pastores estão ai para orientar na consulta e decidir.

– Benício… assim?! Desse jeito?! Esta prédica é rotineira?

Benício pisca e repisca os dois olhos e continua: Eu chorava sem parar… e até hoje me emociono com a cena. Eu fiz exatamente como ele mandou e assim, a resposta foi positiva confirmando o meu batismo. Daquela hora em diante até fiquei na expectativa de ser levantado para o ministério da Obra. Justamente! Quanta emoção invadiu o meu coração naquele momento… Esta Obra é demais… e olhem: este assunto foi lembrado na Grande Evangelização do Mineirão em Belo Horizonte – MG.

– Sei… Mas Benício, – Carlos insiste, – estamos falando do ardente batismo com o Espírito Santo e você está falando de batismo de anjo-que-joga-fogo-na-cabeça-de-crente que acredita na crença do mestre. Agora, responda com base nas Escrituras… claro, se você conseguir: o ardente batismo com o Espírito Santo é apenas choro e emoção ou autoridade e poder de Deus para testemunhar a favor de Jesus? Você entendeu o que acabei de dizer?

– Gente! – Benício desconversa, pisca os olhos e continua com os jargões – a Religião não alcança a Obra e não entende esta Obra… Esta Obra é mistério revelado para Igreja Fiel. Maranata! Obra é Obra…

– Foi assim, Benício? – Carlos insiste. De acordo com a crença do chefe religioso e mestre-primaz, o seu batismo de fogo do altar jogado na sua cabeça despertou em você até o augusto desejo de ser pastor da Obra…

– Justamente! Não estou falando? Obra é Obra. Simples, não é? Vocês entendem?

– Não, Benício, – Marcelo intervém, – não é simples, assim, como você diz, mas já entendemos o que aconteceu: a burocracia da sua doutrina é interessante. Como o mestre ensina e de acordo com o que você chama de doutrina revelada, o fogo do altar, símbolo do Espírito Santo, derramado pelas mãos do anjo sobre a sua cabeça é o batismo com o Espírito Santo.

– Justamente! E Benício franziu as sobrancelhas como que desejando conseguir concordância no que havia dito. Porém, Marcelo insistia em fazê-lo conhecer o erro em que estava mergulhado.

– Este batismo foi confirmado pela consulta a Palavra debaixo do clamor pelo sangue de Jesus. Não foi isso que você declarou?

– Justamente! Justamente! E pisca e repisca os olhos…

– Então, – Carlos intervém, – lá no seminário você estava ouvindo o discurso do mestre sobre a quarta trombeta e no final da aula ele, muito seguro de si, profetizou: o anjo joga o fogo do altar sobre a cabeça dos homens para que recebam com alegria o poder de Deus. Finalmente, consta no relatório que você foi batizado com o fogo do altar – símbolo do Espírito Santo.

– Isto mesmo, Carlos! Essas anotações aparecem na minha ficha… com certo destaque manuscrito: ele absorveu a Obra… é um servo da Obra.

– Interessantes esses destaques na ficha de pastor da Obra, – Carlos comenta, – e continua: mas você, Benício, se recorda do texto da confirmação do tal batismo, como você diz, batismo com fogo do altar – símbolo do Espírito Santo?

– Sim… que bênção! Confirmado debaixo do sangue de Jesus e sacramentado. Assim é a palavra revelada na Obra. Aliás, você já sabe que só a Obra tem a palavra revelada. Não é? Portanto, como diz o mestre, a mescla que se dane!

– Mas, diga-me, qual foi o texto?

– Ah! Boa pergunta. Foi em Atos 28.26: “Vai a este povo e dize-lhe: De ouvido, ouvireis e não entendereis; vendo, vereis e não percebereis.” A Obra é mestra. Aqui está a palavra revelada. É assim na Obra. Eu me firmei na primeira parte do versículo. Justamente. Marquei a minha Bíblia em vermelho que é a cor do sangue de Jesus: “VAI A ESTE POVO E DIZE-LHE”. Por isto eu digo: Ai de mim se sair da Obra… sou servo da Obra. Você ouviu?

– Ouvi, Benício. E diante do que você aprendeu de seu mestre-primaz e senhor, recordo-me do que Deus falou pelo Profeta Isaías a respeito daqueles que se julgam sábios aos seus olhos mas jeitosamente torcem as Escrituras (Is. 29.13-14):

“O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu, continuarei a fazer obra maravilhosa no meio deste povo; sim, obra maravilhosa e um portento; de maneira que a sabedoria dos seus sábios perecerá, e a prudência dos seus prudentes se esconderá.”

A ser continuado… (Parte IV)