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A profecia  de Paulo a respeito do arrebatamento dos santos tem alguma coisa a ver com os juízos do Apocalipse?

Está correto o ensino do Pr. Gedelti Gueiros, profetizando que três das sete trombetas já tocaram e a Igreja Fiel, leia-se: a ICM-PES, será arrebatada ao ressoar da quarta trombeta, “num abrir e fechar de olhos” ?

Este artigo confrota a doutrina revelada.

Examine as Escrituras com a ajuda, o consolo e o fortalecimento do Espírito de Cristo Jesus. Para melhor compreensão dos argumentos que seguem leiam o artigo “A OBRA”: DOS MALES O PIOR. Download à disposição.

Corria o ano de 50 d.C. Em Tessalônica (a atual Salônica), com numerosa população por ser cidade próspera e a capital da província romana da Macedônia, Paulo trombeteou pela primeira vez o Evangelho de Deus Pai, discutindo com os judeus na sinagoga deles. Lucas registrou os tópicos mais importantes da segunda viagem missionária do apóstolo Paulo (At. 15.35-18.22).

Criteriosamente, o apóstolo Paulo ensinou na sinagoga em Tessalônica, onde havia uma grande colônia de judeus. Ele era conhecedor da Lei de Moisés e conhecia a chave da profecia. O assunto girou a respeito da mensagem central da Nova Aliança: arrependimento e fé em Cristo Jesus, pois a contagem do tempo do fim havia começado, pelo Decreto Messiânico (Mc. 1.15): “O tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo: arrependei-vos e crede no evangelho.” Esta mensagem “repercutiu” como o som forte de poderosa trombeta, assim a acepção original do verbo: poderoso trombetear. Aqueles que exerceram fé em Jesus igualmente “repercutiram” a mensagem salvadora por toda parte. Os seus ouvintes de imediato fizeram alguma relação com os juízos das trombetas do Apocalipse? Não! Por que? Veremos mais adiante.

Esta primeira proclamação do Evangelho de Deus lhes anuncia o resgate individual, tal qual o toque inicial das “duas trombetas de prata” convocava os filhos de Israel no deserto; cientes de que, a qualquer instante a “nuvem” se ergueria, indicando a ordem do toque à rebate e a imediata partida do povo (Nm. 9. 15-23; 10.1-12).

Entendam: Deus havia dado ordens a Moisés para providenciar “duas trombetas de prata” feitas de “obra batida”, cada uma forjada a partir de uma lâmina de prata, formando um tubo longo alargando-se em uma das pontas. Eram instrumentos sagrados que pertenciam ao santuário. Somente os sacerdotes, por seus turnos, podiam soprá-las, dependendo do mover da “nuvem” sobre a Tenda da Congregação.

Ouvindo a poderosa pregação do “evangelho da graça de Deus” (At. 20.24), muitos dentre judeus e não-judeus tessalônicos atenderam à convocação divina para o resgate individual; e ficaram cientes que o preço desse resgate já havia sido pago pelo “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo. 1.29). Ora, aqueles que aceitaram a Jesus e foram feitos membros da “família de Deus” (Ef. 2.19), logo entenderam que Paulo os ensinava a exercerem fé em Cristo Jesus, o Messias Prometido. Porquanto, mediante a fé em Jesus eles foram resgatados do poder da doença, da morte e do pecado (cf. Rm. 8.1-3) e haviam ingressado em uma nova relação com Deus Pai, como acontece até hoje.

Porém, devido à oposição invejosa dos judaizantes que rejeitaram o evento Jesus, o Evangelho de Deus Pai que dá vida ao mundo, Paulo foi obrigado a fugir da cidade.  Estando em Corinto, na Grécia, o apóstolo escreveu uma Primeira Epístola àqueles novos convertidos (c. de 51 d.C.), profetizando “por palavra do Senhor” algo extremamente maravilhoso: antes da “ira [de Deus] vindoura … seremos arrebatados” (1 Ts. 1.10b; 5.9). Nada de heresia. Nada de opinião pessoal. Nada de teoria!

Quanto ao resultado deste anúncio profético que convoca para o resgate individual – o primeiro toque da trombeta redentora – o apóstolo escreveu (1Ts. 1.8-10 – ênfase nossa):

Porque de vós repercutiu (execheomai) a palavra do Senhor [o evangelho da graça de Deus] não só na Macedônia e Acaia, mas também por toda parte se divulgou a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não termos necessidade de acrescentar coisa alguma; pois eles mesmos, no tocante a nós, proclamam que repercussão teve o nosso ingresso no vosso meio, e como, deixando os ídolos, vos convertestes a Deus, para servirdes o Deus vivo e verdadeiro e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira [de Deus] vindoura.

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O apóstolo, pois, profetizou a convocação para a iminente, indivisível e misteriosa partida dos que foram resgatados e agora formam “igreja de Deus… corpo de Cristo” (1 Co. 1.2; 12.27), fiel a Jesus e ao Evangelho de Deus Pai (1 Ts. 4.13-18 – ênfase nossa):

 O Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem [a ordem para o arrebatamento], ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta [a instantânea repercussão dessa ordem] de Deus descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor.

 Ora, o apóstolo Paulo estava interpretando o significado do ressoar das “duas trombetas de prata”: convocação para a redenção em seus dois momentos escatológicos principais; convocação individual e partida do povo, como acontecia nas peregrinações dos hebreus no deserto.

Paulo NÃO recebeu revelação da parte do Senhor a respeito de juízo sequencial descrito no Apocalipse (selos,  trombetas e taças). Basicamente, ele ensinou acerca do arrependimento de pecados, do ardente batismo com o Espírito Santo com a manifestação dos dons espirituais no contexto do “mistério guardado em silêncio nos tempos eternos” etc.; e, “por palavra do Senhor” ele profetizou o arrebatamento da “igreja de Deus… corpo de Cristo” caracterizando-o na esperança cristã da iminência deste evento.

Por conseguinte, o chamamento individual é para o resgate individual (um misterioso som longo – o anúncio do Evangelho por esses quase dois mil anos em que o Espírito de Cristo está formando o povo de Deus); e, finalmente, a convocação para a partida do Corpo de Cristo, ou seja: um iminente, indivisível, misterioso e repentino trombetear: VEM!

Que dificuldade existe? Nenhuma, pois a conversão a Deus não é um mistério? O novo nascimento e ingresso na família de Deus não é um mistério? Pois o arrebatamento é esperança para os crentes em Jesus e mistério para o mundo. SIM!

Quando os destinatários se reuniram para ouvir a leitura da mensagem apostólica – muitos deles eram conhecedores da Tora e das históricas tradições (p. exs.: fogo, nuvem, sangue, toques das “duas trombetas de prata”), posto que eram judeus freqüentadores da sinagoga deles – a comunidade dos cristãos logo entendeu que Paulo estava reiterando o que já havia dito e profetizado a respeito do evento Jesus.

Quando ouviram a “doutrina dos apóstolos”, aqueles cristãos oriundos das tradições de Moises compreenderam imediatamente que Paulo interpretava as Escrituras Hebraicas falando de coisas que eles conheciam, assim como os toques das “duas trombetas de prata”. 

Registro que a convocação inicial do “evangelho da graça de Deus”  é para arrependimento e justificação mediante a fé em Cristo (Rm. 5.1). Este é o ressoar da primeira convocação que chama a cada um para o resgate individual em Cristo Jesus, como continua acontecendo em nossos dias.

Registra a Escritura Profética: em certo instante iminente e indivisível dar-se-á a última convocação dos que foram santificados em Cristo (1 Co. 1.2), tanto os que morreram firmes na fé (serão ressuscitados), quanto os que ainda estiverem do lado de cá da existência, servindo ao Senhor (serão transformados). Neste instante seremos arrebatados “num abrir e fechar de olhos”. Este é o importante significado do que Paulo ensinou aos cristãos interpretando o ensino de Moisés a respeito das “duas trombetas de prata” (Nm. 10.1-12 cf. 1 Co. 15.51-52).

Sabendo-se que, a este encontro da “igreja de Deus… corpo de Cristo” com o Senhor nos ares dá-se o nome de arrebatamento da igreja, esta última convocação é o ressoar a rebate da trombeta redenção de que falara Moisés. E assim, a redenção completar-se-á, primeiro, nos que foram santificados em Cristo Jesus (1 Co. 1.2); e, ao depois, na Natureza. Pelo que a Escritura declara (Rm. 8.22-25):

Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora. E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo. Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.

Conclusão

 Amados: Deus não é de confusão.

A antiga promessa do derramar do Espírito (Is. 44.3; Jl. 2.28-29) no contexto da Nova aliança (Jr. 31.31-34) foi lembrada por João Batista (Jo. 1.32-34), reiterada por Jesus (Lc. 24.44.-49) concretizada no Pentecostes (At. 2ss) e até hoje.

Ao escrever Atos dos Apóstolos o hagiógrafo Lucas testifica que este assunto ficou bem esclarecido e experimentado entre aqueles cristãos dependentes de fortalecimento em espírito para proclamarem, por toda a parte, a Mensagem Salvador.

Aqueles cristãos neófitos de Tessalônica e as centenas de comunidades cristãs daqueles primeiros tempos jamais puderam fazer a mais mínima relação dessas duas convocações – resgate individual e partida do povo de Deus – com atos de justiça punitiva em meio ao mover cataclísmico e interventivo do Juízo de Deus mencionado no Apocalipse. Graça e Juízo não se misturam.

Portanto, o Apocalipse NÃO cuida de batismo com o Espírito Santo, como quer o ensino-profético do Pr. Gedelti Gueiros. Este amado e ilustre irmão em Cristo está errado ao afirmar que o fogo do altar – o Espírito Santo – é derramado sobre a cabeça dos homens para que recebam com alegria as intervenções de Deus.  Completamente errado. E apesar de avisado não se c orrige.

Ora, por volta de quarenta e cinco anos depois de Paulo haver escrever aos cristãos tessalônicos (e próximo de trinta anos depois de sua morte, bem no final do governo de Nero, a besta-fera que incendiou a parte velha da cidade de Roma e culpou os cristãos de havê-lo feito) é que o Apocalipse de Jesus Cristo foi notificado ao apóstolo João, quando prisioneiro em Patmos, no Mar Egeu. Nesta ocasião é que foi revelado a respeito dos Juízos: selos, trombetas e taças (Ap. 6.1-17; 8.1-13; 9.1-21; 11.15-19; 16.1-21) descritos no Apocalipse.

Resta a questão: o que fazer com este ensino gedeltiano? Livrem-se do fermento imprestável institucionalizado na ICM-PES, porquanto grande é o pecado de ensinar e espalhar heresias entre os crentes em Jesus. Deus chamará a juízo os que assim fazem, como está escrito (Tg. 3.1): “Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo.” Igualmente, é grande o pecado de ser cúmplice com os pecados de outrem (1 Tm. 5.22; 2 Jo. 1.11).

Se alguém quer continuar acreditando em heresias de falsos mestres e falsos profetas que ensinam doutrina revelada que ofende as Escrituras, não posso impedir. Mas nunca poderá dizer: ninguém me avisou.

NOTA

Artigo revisado em 30.04.2011