“O homem que toca o tambor
não tem idéia até onde o som chegará.” (1)

A anunciação do nascimento de Jesus, as milícias celestiais exultantes em júbilo, os pastores correndo pelos campos e rompendo cercas (2) em direção à estalagem onde estava o Infante Real… Eis o cenário de antigas e poderosíssimas profecias em curso inerrante, como está escrito (Gl. 4.4-5 – ênfase nossa):

“Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.”

A Bíblia Sagrada delineia o extraordinário e maravilhoso nascimento de Jesus, o Salvador dos homens de boa vontade. Fiel cumprimento de antigas promessas de Deus ao Seu povo, a exemplo do que Miquéias (5.2) profetizou cerca de 750 antes:

“E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.”

Ah! As poderosas promessas apontavam para Ele! E o agir amoroso do Eterno e Todo-Poderoso desabrochava em esperanças, sorrisos e surpresas (enquanto os donos de religião, os palacianos e os políticos tramavam e urdiam venenos).

Ao longo dos séculos a Literatura, a Liturgia, a Música e a Poesia, especialmente, abriram espaço para essas históricas narrativas. Enorme a lista de cânticos e hinos natalinos no curso da História de Igreja.

Claramente esta impressionante profecia faz referência ao escatológico Messias de Deus, cuja origem é “desde os dias da eternidade”. (3) Fiel é Deus! Nessa noite a jovem Maria descansou de suas dores; e desde então as portas do inferno estremecem e continuam estremecendo de terror.

Certo poemeto fala de um menino muito pobre que, atento ao corre-corre na pequena vila de Belém, ouviu que os cidadãos deveriam levar presentes ao Menino-Rei, a fim de honrá-Lo. Ao entrar na estalagem o tambor observa que, deitado na manjedoura e envolvido em faixas, o Recém-nascido é tão pobre quanto ele. Entendendo que ali está a Dádiva de Deus para os homens, o menino quer honrar o Infante e, ao aceno de Maria, ele toca o tambor… o melhor que pode fazer. E o fez tão bem que o Infante Real correspondeu com um largo sorriso.

Diversos cantores e orquestras nos apresentam Little Drummer Boy, aliás, muito popular no mundo de fala inglesa. Em belíssima apresentação ao vivo em Dublin, Irlanda, Celtic Woman (4) celebra este acontecimento histórico.

O texto tradicional (inglês) nos diz:

Venham, eles me disseram,
Ver nosso novo Reizinho.
Nosso melhores presentes trazemos
Para entregar ao Rei e honrá-Lo
Quando nós chegarmos…

Bebezinho,
Eu sou um menino pobre também
Não tenho presente para trazer,
Para entregar ao Rei.
Devo tocar para Você em meu tambor?…

Maria acenou.
O boi e o cordeiro chegaram a tempo.
Eu toquei meu tambor para Ele,
Eu toquei o meu melhor para Ele
Então Ele sorriu para mim.
Eu e o meu tambor…

Este cântico natalino está entremeado com belo Cântico Gregoriano:

Veni, Redemptor gentium
Ostende partum Virginis
Miretur omne saeculu
Talis decet partus Deum
Puer natus est nobis
Filius datus est.

Logo os cantores se apresentam em procissão mas permitem passagem à Orla Fallon e Chloe Agnew nas duas estrofes em que descrevem as ações do menino. Ao fim da belíssima apresentação coral, cheio e marcante, eis o som do tambor…

Reflexão

Ficou na História a cena da estalagem. Não mais estamos diante de bois e cordeiros na manjedoura onde o Deus-Infante repousou em Sua humanidade. Na estalagem não existem três reis magos, tanto que os magos não eram três, nem eram reis. O apóstolo-hagiógrafo Mateus esclarece (5). Que este fato tenha acontecido em 25 de dezembro é matéria descarta e sem fundamentação histórica.

O correto é que o escatológico “tempo do fim” (6) teve início com o Decreto Messiânico (Mc. 1.15): “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.” Aqui não existem relativos. O Evangelho é ABSOLUTO. Ele é “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê [exerce fé em Cristo]”. (7) O Messias Jesus garantiu-nos (Mt. 24.35): “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.”

O Evangelho de Deus foi por Ele anunciado e demonstrado com milagres, prodígios e sinais. Até os mais simples testemunharam estas coisas (Mc. 7.37; Lc. 24.19-24). Nada obstante, o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo. 1.29) completou a obra que pelo Pai Lhe fora confiada (Jo. 17.4-5), evitando a morte no Getsêmani (Mc. 14.36). Finalmente, Ele subiu ao Calvário para ser morto, conforme Lucas registra (At. 2.23-24): “…por mãos de iníquos ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela.”

Não posso negar que diante da grandeza e humildade de Cristo Jesus agora exaltado à Destra da Majestade de Deus (8), ainda me vejo como o menino desse poemeto…

Porquanto, de mim mesmo, nada tenho para oferecer ao Rei dos reis e Senhor dos senhores, a não ser, fazer o melhor com o meu tambor…

Razão deste BLOG…

NOTAS DE FIM

  1. Provérbio concolês citado por David Botelho, líder da Missão Horizontes na América Latina (Monte Verde – MG). http://www.meg.org.br/wmview.php?ArtID=189
  2. Mt. 1.18-25; Lc. 2.1-20
  3. Mq. 5.2 cf. Mt. 2.1,3-6; Jo. 1.1; Cl. 1.17; Ap. 1.8
  4. Celtic Woman-Little Drummer Boy
    http://www.youtube.com/watch?v=0XYeWG3bvL0&feature=related
  5. Mt. 2.1-12 – O hagiógrafo menciona que os magos entraram na “casa” (gr. oikia), o que se entende por construção humana, edifício habitado, moradia. Cf. Dicionário Bíblico de James Strong, 3514
  6. Dn. 8.17; 11.35, 40; 12.4,9
  7. Rm. 1.16-17: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.”
  8. At. 2.32-33; Hb. 1.3-4; 8.1-2; Jd. 1.24-25